quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Cateterismo Vesical

CATETERISMO VESICAL
Conceito/Finalidades:
 É a introdução de um cateter ou sonda estéril através da uretra até a bexiga, com fim de diagnóstico ou tratamento.
Indicações Gerais:
·         Drenagem vesical por obstrução crônica,
·         Disfunção vesical (bexiga neurogênica),
·         Drenagem vesical após cirurgias urológicas e pélvicas,
·         Medida de diurese em pacientes graves,
·         Assegurar a higiene perineal e o conforto de pacientes incontinentes de urina e   comatosos.
Contraindicação:
·         Obstrução mecânica do canal uretral,
·          Infecção do trato urinário baixo.
Responsabilidade:
·         Enfermeiro
Tipos de Cateterismo Vesical:
1.       Cateterismo Vesical de Alívio
2.       Cateterismo Vesical Intermitente
3.       Cateterismo Vesical de Demora
Complicações:
·         Infecção urinaria: mas comum causada principalmente pelo uso incorreto da técnica asséptica.
·         Hemorragia: pode ser causada pela utilização de uma sonda de calibre inadequado ao tamanho da uretra, passagem incorreta, existência de patologias previa.
·         Formação de cálculos na bexiga: devido longa permanência da sonda.
·         Bexiga neurogênica: nos pacientes com permanência prolongada da sonda.
·         Trauma tissular: devido a aplicação de força durante a passagem, utilização de sonda muito calibrosa.
Cateterismo vesical de Alívio
Um cateter reto (sonda de nelaton), e de uso único é introduzido por um período suficiente para drenar a bexiga. Quando a bexiga estiver vazia o cateter deve ser retirado imediatamente. Este tipo de cateterismo pode ser repetido quando necessário, porém, o uso repetido aumenta os riscos de trauma e infecção.

Indicações:
·         Alívio para retenção urinária;
·         Obtenção de urina estéril;
·         Avaliação de urina residual depois da micção;
Cateterismo Vesical intermitente
É aquele realizado e utilizado em horários pré-estabelecidos. Ex: de 6/6h, nos casos de bexiga neurogênica, etc....
Cateterismo Vesical de Demora
Uma sonda de demora ou folley permanece no local por um período prolongado. Possui um balão insuflável com água que envolve a sonda exatamente abaixo da extremidade, quando insuflado, o balão repousa contra a saída da bexiga, fixando a sonda na posição.
A sonda de retenção ou de demora pode possuir  duas vias( sonda de Folley),ou  três vias dentro do corpo da sonda.( sonda de Owen, para lavagem vesical).
Tipos de Sondas de Demora:
·         Sonda Folley
·         Sonda de Owen
Tempo de Permanência:  7 dias
Numeração:
14 – 16 em mulheres
16 - 20 em homens
Indicações:
·         Facilitar a eliminação vesical.
·         Facilitar a avaliação da quantidade de urina residual.
·         Permitir uma avaliação continua e apurada da diurese.
·         Fornecer uma via para irrigação da bexiga.
·         Realizar o controle indireto da função hemodinâmica e promover a drenagem de paciente com incontinência urinaria.
·         Esvaziar a bexiga para procedimentos cirúrgicos ou diagnósticos.
·         Controlar sangramentos.
Materiais:
·         Bandeja de cateterismo vesical,
·         Sonda Folley,
·         Bolsa coletora sistema fechado,
·         Antisséptico Tópico,
·         Gel hidrossolúvel/Xilocaína,
·          Luvas esterilizadas(2 pares) e de Procedimento,
·          Ampolas de água destilada,
·         Biombo, Seringa 20 ml,
·         Fita adesiva hipoalergênica ou esparadrapo.

Descrição do Procedimento:
Procedimento
Justificativa
01- Conferir a prescrição médica;
01- Evitar erros;
02- Reunir o material e levar até o paciente;

03- Explicar o procedimento ao paciente;
03- Reduzir ansiedade e propiciar cooperação;
04- Promover a privacidade do paciente;
04-Mostrar respeito pela dignidade do paciente;
05- Higienizar as mãos;
05-Reduzir transmissão de microrganismos
06-Posicionar o paciente:
A. feminino: posição dorsal(supino com joelhos flexionados).
B. masculino: posição supina com as coxas levemente contraídas.
06-Permitir facilidade de acesso e visualização;
07-Calçar luvas de procedimento e realizar a higiene íntima rigorosa com água e sabão (se paciente dependente). Orientar a higienização prévia a pacientes independentes;
07- Prevenir a contaminação por agentes microbianos;
08-Retirar luvas de procedimento e higienizar as mãos;

09- Abrir a bandeja de cateterismo e adicionar os materiais descartáveis (sonda de Folley, seringas, agulhas, gaze estéril e sistema coletor fechado) dentro da técnica asséptica;
09-Manipular material esterilizado sem contaminação;
10- Calçar luvas estéreis
10- Calçar luvas estéreis (2 pares);
11-Adaptar a sonda de Folley ao coletor de urina sistema fechado;
11-Prevenir contaminação do sistema;
12- Colocar gel hidrossolúvel na seringa de 20ml (se paciente masculino) e colocar água destilada em seringa de 10ml;
12- Com auxílio de um colega, colocar gel hidrossolúvel na seringa de 20ml (se paciente masculino) e colocar água
destilada em seringa de 10ml;
13- Testar o cuff (balonete) com a seringa de 10ml com água destilada;
13-Verificar a integridade do balão;
14- Realizar antissepsia do meato uretral:
A. feminino:
(1) com a mão não dominante, retrair os grandes lábios e manter a posição ao longo do procedimento.
(2) usando pinça na mão dominante esterilizada, pegar gazes estéreis saturadas com solução antisséptica e limpar a área do períneo, limpando da frente para trás do clitóris na direção do ânus. Com uma nova gaze para cada área,
limpar ao longo da dobra dos grandes lábios, perto da dobra dos grandes lábios e diretamente sobre o centro do meato uretral.
B. masculino:
(1) recolher o prepúcio com a mão não dominante, segurar o pênis abaixo da glande. Manter a mão não dominante na
posição ao longo do procedimento.

(2) com a mão dominante, pegar uma gaze com a pinça e limpar o pênis. Fazer movimento circular do meato uretral para baixo até a base da glande. Repetir a limpeza três vezes, usando uma gaze limpa a cada vez.
(1) visualização total do meato uretral. Retração total previne a contaminação do meato uretral durante a limpeza.
(2) a limpeza reduz o número de microrganismos no meato uretral.


















(2) a limpeza reduz o número de microrganismos no meato uretral.
15- Retirar o primeiro par de luvas estéril usado na antissepsia;

16- Posicionar o campo fenestrado sobre a genitália;

17- Lubrificar a sonda com xilocaína. No homem, poderá ser injetado o lubrificante diretamente na uretra através de seringa de 20 ml.
17-Reduzir a fricção e a possível irritação quando da inserção da sonda;
18- Introduzir a sonda delicadamente no meato uretral até observar a drenagem de urina. Quando masculino, levantar o pênis na posição perpendicular ao corpo do paciente;
18- O pênis devidamente posicionado facilita a inserção do cateter;
19- Insuflar o balonete com água destilada, observando o volume marcado na sonda;
19-Manter a extremidade distal da sonda no interior da bexiga;
20-Tracionar vagarosamente a sonda e fixar na parte interna da coxa (mulher) e área suprapúbica (homem);
20- Evitar possível tensão no trígono urogenital (mulher) e tensão uretral na junção penescrotal (homem);
21- Não se esquecer de reposicionar o prepúcio e remover o excesso de antisséptico da área meatal;
21-O reposicionamento evita constrição do prepúcio atrás
da glande do pênis – parafimose. A remoção do excesso de antisséptico impede a irritação do tecido pelo contato prolongado com o antisséptico;
22- Prender o coletor na parte inferior da cama após colocar a data, hora e nome do funcionário;
22-Evitar refluxo de urina da bolsa para a bexiga;
22-Evitar refluxo de urina da bolsa para a bexiga;
23-Manter conforto e segurança;.
24- Encaminhar o material utilizado ao expurgo;

25- Retirar luvas e higienizar as mãos;
25-Reduzir transmissão de microrganismos;
26- Checar o procedimento;
26-Informar que a ação foi realizada;
27- Realizar as anotações de enfermagem no prontuário.
27-Documentar o cuidado e subsidiar o tratamento;
Artigos 71 e 72 do Código de Ética dos Profissionais
de Enfermagem (Responsabilidades e Deveres).

Observações Importantes:
·         Em pacientes acamados, com sonda vesical, deve-se fazer higiene íntima após cada evacuação.
·         Em alguns casos de retenção urinária pode ser colocada bolsa de água morna ou compressas na região suprapúbica.
·         Observar e anotar o volume urinário, cor e o aspecto.
·         Desinsuflar o balão na retirada da sonda vesical, observar e anotar a primeira micção espontânea.
·         O sistema de drenagem deve ser obrigatoriamente “fechado” e trocado toda a vez que for manipulado inadequadamente.
·         Não abrir o sistema de drenagem, para realizar coleta de exames.
·         Realizar higiene perineal com água e sabão, e do meato uretral, pelo menos 2X ao dia.
Referências:
ATKINSON, Leslie D.; MURRAY, Mary Ellen. Fundamentos de enfermagem: introdução ao processo de enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008

CARMAGNANI, Maria I. S. et al. Procedimentos de enfermagem: guia prático. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.


Claudia Cristine de Souza Gonçalves; Fabiano Rodrigues do Santos; Madalena Monterisi Nunes; Paola Carbone. Enfermagem - Técnicas e Procedimentos: 1ª Edição, Editora Rideel

Nenhum comentário:

Postar um comentário